A favor da disrupção das narrativas: chega de fórmulas



Uma coisa que me atrai ao mesmo tempo que me incomoda na escrita literária é a fixação de alguns escritores por manuais literários, técnicas e fórmulas. Eu já falei muito sobre técnicas e foi lendo livros de não-ficção sobre o fazer artístico que tomei grande impulso pra escrever ficção. Inclusive já falei que ideias são menos importantes que técnicas — porque técnicas te dão ideias, mas ideias não te dão técnicas pra executá-las.

Mas acredito, principalmente, na disrupção. Conhecer uma técnica para, então, quebrá-la.

Entender técnicas para desobedecê-las


Técnicas se tornam técnicas porque funcionam, e são testadas empiricamente (e há quem teste cientificamente, mas isso são outros quinhentos). Então, uma forma além dos manuais não-literários para aprender escrita criativa está justamente na literatura.

Daí a importância de ler. Alguns ainda, em pleno século 2018, insistem em repetir a suprema idiotice de que escritor não precisa necessariamente ler para ser bom escritor.

Mas precisa. E a lógica é a mesma das técnicas: você precisa conhecê-las pra quebrá-las. Você precisa ler muitos clássicos pra saber o que pode fazer que dará certo e o que você pode fazer ao contrário para inovar.

É fácil não ler nada e escrever um livro sobre robôs achando que tá sendo original. Mas aí você lê outros livros e percebe que já fizeram isso milhões de vezes. Digo isso porque essa foi, inclusive, uma das minhas decepções no meu precoce storytelling durante a infância.

Quem faz isso?


Escrevi sobre isso no meu Medium e não pretendo me alongar, pois esta é só uma #InsanidadeCriativa, e não um ensaio. Mas um exemplo de quem fez isso muito bem está no cinema: Memento.

O longa-metragem, que na verdade foi baseado em um conto do irmão do diretor, subverte a narrativa tradicional e conta uma história que começa do final. O filme segue duas linhas narrativas: uma que parte do final em direção ao começo, ou seja, ao contrário; e outra em preto e branco que parte do meio e vai de encontro à outra linha narrativa. No fim do filme, as duas narrativas se encontram.

Chega de jornada do herói, galera


Eu não aguento mais ver autores iniciantes usando a jornada do herói. Ela pode funcionar, sim, e vai funcionar. Mas acredito que o papel do escritor é ser minimamente original, e isso não é possível seguindo fórmulas (a não ser que você seja muito bom e saiba brincar com um arquétipo pra lá de batido).

Então é isso que eu tento fazer: estudar técnicas, fórmulas, clássicos. Pra então testar e ver que funciona. Pra então fazer tudo ao contrário e criar algo novo.

Pode ser que eu falhe. Normalmente é o que acontece. Mas isso é assunto pra alguma #InsanidadeLiterária.

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